terça-feira, 3 de maio de 2016

Resumo sobre o Livro:Seis estudos de psicologia de Jean Piaget




Introdução:

Nesta obra Jean Piaget, importante psicólogo e filósofo suíço, relata suas experiências acerca da inteligência infantil, numa compilação de artigos e conferências produzidos por ele.
A primeira parte apresenta uma síntese das descobertas no campo da psicologia infantil, mostrando como ocorre o desenvlvimento do pensamento, da linguagem, da afetividade da criança através dos estudos de casos e exemplos. 
O desenvolvimento psiquico inicia com o nascimento e termina na vida adulta. A mente assim como o corpo está em busca de desenvolvimento, assim como o corpo, até tingir o equilíbrio final representado pelo "espírito adulto".
O desenvolvimento físico e intelectual (psíquico), acontecem simultaneamente. O equilíbrio emocional é alcançado com o passar dos anos, se solidificando e alcançando "níveis" mais elevados em constante ascenção evolutiva. 
A evolução do corpo difere da evolução da mente, este tendo seu desenvolvimento mais estático que o da mente. Ao chegar à velhice (evolução ascendente), começa a evolução regressiva do corpo, para Piaget a evolução do espírito (mente) sempre continua.
Ao lado destas estruturas constantes existem as variáveis, que são a forma de organizaçao mental sob o aspecto motor, intelectual em uma parte, e afetivo em outra parte com as dimenções social e individual.


Primeira parte:

 A Primeira Infância

De acordo com Piaget, a afetividade e o racional da criança se transformam com o aparecimento da linguagem. Assim, temos as tres consequências primordiais para se desenvolver o mental.

1. Início da socialização;
2. Interiorização da fala, surge o pensamento;
3.Interiorização das ações que ocorriam no ambito corporal, agora está também no imaginário.(Intuição)

Piaget examina estas tres modificações da conduta (Socialização, pensamento e intuição):

A socialização da Ação:
O bebê aprende pouco a pouco a imitar, sem uma tecnica hereditária na sequência:
1) Simples Excitação
 2)Imitação sensório motora: copia e repete movimentos conhecidos
3)A criança reproduz movimentos complexos e novos mais elaborados.



      A imitação dos sons tem evolução parecida com a imitação motora, quando os sons são associados às ações, segue se para o início da aquisiçção da linguagem, inicialmente com palavras chave, verbos, e depois frases.
         A linguagem conduz à socialização das ações. Desde os três anos, e muitas vezes antes, aparece uma forma básica de perguntas que se multiplicam até os sete anos: são os famosos "porquês" das crianças, aos quais, os adultos, tantas vezes tem dificuldade em responder -  Ao observar a maneira como a criança faz suas perguntas fica claro ainda presente o caráter egocêntrico de seu pensamento, neste campo da representação do mundo, em oposição ao da organização de universo prático.



 A Intuição 
     Há uma coisa que surpreende no pensamento da criança: o sujeito afirma todo o tempo, sem nunca demonstrar. A intuição primaria é apenas um reflexo do sistema sensório motor transposto como ato de pensamento herdando naturalmente suas características. Já a intuição articulada avança netsa direção, onde ocorre grande evolução do pensamento próprio deste estágio que ntecede a linguagem.

 A vida afetiva:
   Com o início da socialização ocorrem transformações que influenciam diretamnete o desenvolvimento cognitivo e afetivo, inicialmete as consequências novas essenciais são:
1) Desenvolvimento dos sentimentos interindividuais (simpatias, antipatias)
2) Socialização das ações, surgem os sentimentos intuitivos proveniente da interação com adultos e crianças.
3)Regularizações de interesses e valores: O interesse é a orientação própria do processo de assimilação mental.
 Em suma, interesses, autovalorização, valores interindividuais espontâneas e valores intuitivos parecem ser as principais visualizações da vida afetiva própria a este nível do desenvolvimento. 

A Infância dos 7 aos 12 anos: 
    Esta fase é marcada por mudanças significativas na vida da criança. Segundo Piaget é quando ocorre o começo da escolaridade da criança, propriamente dita, marca uma modificação decisiva no desenvolvimento mental. Após os sete anos a criança pode  cooperar por não mais confundir o seu ponto de vista com o do outro. É possível que ocorram discussões  e a lingugem egocênctrica desaparece quase que totalmente, é capaz de seguir regraas coletivamente, pensa antes de agir e reflete. Liberta se do egocentristsmo intelectual social e afetivo. Ocorre a construção da lógica, noções de cooperar com o grupo e autonomia pessoal.
    Piaget explica que surgem novas formas de explicação originarias das anteriores, porém corrigidas. Nova compreessão de permanência, desconservação, velocidade e construção do espaço.Suegem as oprações racionais. As intuiçõçes se trasnformam em operações, assim como as ações de reunir (soma) subtração (dissociação).
    A afetividade, vontade e sentimentos morais:
Aparição de novos sentimentos morais, organizados  pela vontade que leva a uma maior compreessão do eu. O respeito mútuo  se desenvlve em novas formas de sentimento moral, diferente da obediência exterior inicial.
Adolescencia:
    As reflexões precedentes poderiam levar a crer que o desenvolvimento mental termina por volta de onze anos ou doze anos, e que a adolescência é simplesmente uma crise passageira, devido à puberdade, que separa a infância da idade adulta. Evidentemente, a maturação do instinto sexual é marcada por desequilíbrios momentâneos que dão um instinto colorido afetivo muito característico a todo este último período da evolução psíquica.  Os adolescentes têm seus poderes multiplicados; estes poderes, inicialmente perturbam a afetividade e o pensamento, mas depois as fortalecem.
    Na adolescência surge maior habilidade para cruiar teorias abstratas. Escrever. exercer atividades relacionadas à filosofia, uma políticas, ideologias outros  têm teorias e sistemas que transformam o mundo. Após os onze ou doze anos, o pensamento formal torna-se possível, isto é, as operações lógicas começam a ser transposta do plano da manipulação concreta para as da ideia, expressas em linguagem diversificada (a linguagem, os símbolos matemáticos, etc.), mas sem o apoio da percepção, da experiência, nem mesmo da crença.  Há uma mistura de sentimentos místicos, altruístas, generosos. Por sua personalidade se colocam iguais aos adultos mais velhos, mas tenta superá los e afastá los.O adolescente se adapta verdadeiramente na sociedade, quando deixa de ser reformador revolucionário e passa a ser realizador.

Segunda Parte:O PENSAMENTO DA CRIANÇA 

“O pensamento da criança" é um assunto imenso. Pode-se abordá-la sobre várias perspectivas. Vou-me deter em três:  
1. Estudo mostra, em primeiro lugar, aquilo em que a criança difere do adulto, isto é, o que falta á criança para raciocinar como um adulto normal de cultura média.  
2.  Mostra, em seguida, como se constroem as estruturas cognitivas. Deste modo, a psicologia da criança pode servir de método explicativo geral em psicologia, pois o estudo da formação progressiva de uma estrutura fornece, em alguns aspectos, sua explicação. 
3. O estudo do modo de construção de algumas estruturas permite, enfim, respondem a algumas perguntas feitas pela filosofia das ciências. A este respeito, a psicologia da criança pode-se prolongar em "epistemologia genética". 
I. A Criança e o Adulto  
De acordo com Piaget nesta obra: 
" ... Sustentei em meus primeiros livros que a criança começava sendo "pré- lógica", não no sentido de uma diferenciação fundamental entre a criança e o adulto, e, sim no da necessidade de uma construção progressiva das estruturas lógicas.  Estudando meus próprios filhos, compreendi melhor o papel da ação e, em especial que ações constituem o ponto de partida das futuras operações da inteligência. A operação é assim uma ação interiorizada, que se torna reversível e que se coordena com outras, em estruturas operatórias de conjunto. As operações se constituem em duas etapas sucessivas: uma "concreta", entre sete e onze anos, mais próxima da ação, e a outra "formal" ou proporcional, somente depois de 11-12 anos. Não há então diferença de natureza entre a lógica verbal e a logística inerente à coordenação das ações, mas, a lógica das ações é mais profunda e mais primitiva."
As Estruturas Cognitivas  
      As operações lógico-matemática derivam das próprias ações, pois são o produto de uma abstração procedente da coordenação das ações, e não dos  objetos. Por exemplo, as operações de "ordem" são obtidas da coordenação das ações, pois para descobrir certa ordem numa série de objetos ou numa secessão de acontecimentos, é preciso ter a capacidade de registrar esta ordem por meio de ações (desde os movimentos oculares ate a reconstituição manual) que devem ser também elas, ordenadas.       Vê-se, assim que a psicologia genética não nos ensina apenas, aquilo em que a criança difere do adulto, mas igualmente, como se constroem certas estruturas lógica matemática, que fazem parte de todas as formas evoluídas do pensamento adulto. 
III.  Psicologia e Epistemologia Genética  
      Em certos casos, o estudo genético da construção das noções e das operações permite responder a algumas perguntas colocadas pelas ciências, no que convém aos métodos de conhecimentos. Neste caso, a psicologia da criança se prolonga de modo natural em "epistemologia genética". Noção tempo, esta se apresenta sob dois aspectos distintos: a ordem ou, sucessão dos acontecimentos e a duração ou intervalo entre acontecimentos ordenados. Podem-se fazer observações, análogos sobre os tempos psicológicos (duração de um trabalho tenso ou rápido), etc. Quanto à noção de velocidade, a fórmula clássica v = e: t parece estabelecer uma relação, enquanto o tempo t e o espaço percorrido e correspondem a intuições simples, que são anteriores a esta relação de velocidade. Sem duvida, a criança começa considerando apenas os pontos de chegada, e por isto comete erros durante muito tempo, no que refere a simples emparelhamento e, sobretudo a semi- emparelhamentos, mas, quando ela se torna apta a antecipar a série de movimentos percebidos e a generalização à noção de ultrapassagem, alcança uma noção ordinal básica da velocidade.  Utilizando, então nossos trabalhos sobre a gênese desta noção na criança, fizeram a teoria da velocidade básica ou da ultrapassagem.         Vê-se assim como o pensamento da criança que apresenta atividades consideráveis às vezes originais e imprevistas é rico em aspectos notáveis, não somente por suas diferenças do pensamento adulto, mas ainda por seus resultados positivos que nos ensinam o modo de construção das estruturas racionais, permitindo mesmo às vezes esclarecer certos aspectos obscuros do pensamento científico. 

3- A LINGUAGEM E O PENSAMENTO DO PONTO DE VISTA GENÉTICO :
    Estas observações sobre a linguagem e o pensamento serão grupadas em três momentos principais: as relações entre a linguagem e o pensamento, em primeiro lugar, no momento da aquisição dos primordiais da linguagem; em segundo lugar, durante o período da aquisição das operações lógicas, que chamaremos concretas (certas operações da lógica das classes e das relações aplicadas, de sete a onze anos aos objetivos manipulados); e, enfim, em terceiro lugar, durante o período das operações formais ou interproposicionais (a lógica das proposições que se constitui entre doze e quinze anos). 
I.   O pensamento e a função simbólica 
    Quando se compara uma criança de 2-3 anos, na posse das expressões verbais elementares, a um bebê de oito a dez meses, cujas únicas formas de inteligência são ainda de natureza senso-motor, ou seja, tendo apenas como instrumentos as percepções e movimentos parece evidente à primeira vista que a linguagem modificou profundamente esta inteligência ativa, acrescentando-lhe o pensamento. É assim, que, graças a linguagem, a criança se torna capaz de evocar situações não atuais e se libertar das fronteiras do espaço próximo e do presente, isto é, dos limites do campo perceptivo, isto porque a inteligência senso-motor nãoestava quase inteiramente confinada ao interior de tais fronteiras. Em suma, fica-se tentando a comparar a criança, antes e depois da linguagem, isto é, de concluir com Watson e tantos outros, que a linguagem é a fonte do pensamento. Ora o jogo simbólico aparece mais ou menos tempo que a linguagem independente dela, desempenhando importante papel no pensamento das crianças, a título de fonte de representações individuais (ao mesmo tempo cognitivas e afetivas) e de esquematização representativa, igualmente individual. Mas como a linguagem é só forma particular da função simbólica, e como símbolo individual é, certamente, mais simples que o signo coletivo, conclui-se que o pensamento precede a linguagem e que esta se limita a transformá-lo, profundamente, ajudando-o a atingir suas formas de equilíbrio através de uma esquematização mais desenvolvida e de uma abstração mais móvel. 
  II.   A linguagem e as operações "concretas" da lógica 
     A primeira informação dos estudos sobre a formação das operações lógicas na criança é que estas não se constituem em bloco, mas se elaboram em duas etapas sucessivas. As operações proposicionais (lógica das proposições), com suas estruturas de conjunto particular que são aquelas da rede (lattice) e de um grupo de quatro transformações (identidade, inversão, reciprocidade e correlatividade), só aparecem por volta de onze a doze anos e só se organizam, sistematicamente, entre doze e quinze anos. Por outro lado, desde 7-8 anos se constituem sistemas de operações lógicas que ainda não se referem às proposições como tais, mas ao próprios objetos, suas classes e suas relações, só se organizando a propósito de manipulações reais ou imaginárias destes objetos. A linguagem amplia indefinidamente seu poder, conferindo às operações uma mobilidade e uma generalidade que não possuíram sem ela. Mas ela não é a origem de tais coordenações. 
III.   A linguagem e a lógica das proposições  
   Mas, se é compreensível que as operações concretas de classes e até relações tem suas origens nasações de reunir e dissociar, responder-se a que as operações proporcionais (isto é, aquelas que caracterizam a "lógica das proposições" no sentido da lógica contemporânea) constituem, por outro lado, produto autêntico da própria linguagem. Com efeito, as implicações, disfunções, incompatibilidades, etc., que caracterizam esta lógica, só aparecem por volta de onze- doze anos, em um nível em que o raciocínio se torna hipotético-dedutivo e se libera das suas ligações concretas para se situar em plano geral e abstrato. A realidade psicológica fundamental que caracteriza, psicologicamente, tais operações é a da estrutura de conjunto, que reúne em um mesmo sistema, caracterizando sua utiliza ação algébrica (o "calculo" das proposições). A linguagem, portanto, é condição necessária, mas não suficiente para a construção das operações lógicas, por outro lado, sem a linguagem, as operações permaneciam individuais e ignorariam em consequência, esta regularização que resulta de troca individual e da cooperação. Entre a linguagem e o pensamento existe, assim, um ciclo genético, de tal modo que cole um, dos dois termos se apoia necessariamente, sobre o outro, em formação solidária e em perpetuo ação recíproca, mas ambos dependem, no final das contas, da inteligência, que é anterior à linguagem e independente dela. 
4- O PAPEL DA NOÇÃO DE EQUILÍBRIO NA EXPLICAÇÃO PSICOLÓGICA 
    Quase todas as escolas psicológicas apelam para a noção de equilíbrio, atribuindo-lhe um papel na explicação das condutas.  A teoria da Gestalt estendeu este modo da interpretação às estruturas cognitivas (percepção e inteligência) e K. Lewin a desenvolveu na psicologia social, especialmente, pelo emprego da teoria dos gráficos.  Colocam-se, então, dois grandes problemas em relação de equilíbrio: primeiro, o que a noção de equilíbrio explica, ou seja, o papel deste conceito na explicação psicológica; e segundo, como se explica o próprio equilíbrio, isto é, qual é o modelo mais adequado para justificar um processo de equilibração. O importante, na explicação psicológica, não é o equilíbrio enquanto estado, mas, sim o próprio processo de equilibração, pois o equilíbrio é apenas um resultado, enquanto que o processo, como tal, apresenta maior poder explicativo. 
I.   O que a noção de equilíbrio explica  
   Um organismo em relação ao seu meio apresenta, ao contrário, múltiplas formas de equilíbrio, desde o das posturas até o homeostase, sendo estas formas necessárias à sua vida. Trata-se, então de características intrínsecas; portanto, os desiquilíbrios duradouros constituem estados patológicos, orgânicos ou mentais. Além disso, existem no organismo órgãos especiais de equilíbrio, o mesmo, acontece com a vida mental, onde os órgãos de equilíbrio são constituídos por mecanismos regularizadores especiais em todos os níveis: regularizações elementares das motivações (necessidade e interesses) até a vontade, no que diz respeito à vida afetiva, e regularizações perspectivas e senso-motoras até operações propriamente ditas, no tocante a vida cognitiva. 
       Os três fatores clássicos do desenvolvimento são a hereditariedade, o meio físico e o meio social, levando em conta, então, esta interação fundamental entre fatores internos e externos, toda conduta é uma assimilação do dado a esquemas anteriores (assimilação a esquemas hereditários em grau diversos de profundidade) e toda conduta é, ao mesmo tempo, acomodação deste esquema à situação atual. Em suma, o desenvolvimento das funções cognitivas é  por uma sucessão de etapas, das quais só as últimas (a partir de 7- 8 e de 11-12 anos) marcam o termino das estruturas operatórias ou lógicas; cada uma dessas etapas, desde as primeiras, se orienta nesta direção. Não é, portanto, de modo algum, exagero falar-se do papel explicativo central da noção de equilíbrio nas questões do desenvolvimento das funções cognitivas (aquelas envolvidas no processo do conhecer), mas permanece o processo de como explicar a passagem das estruturas pouco equilibradas ou instáveis (senso-motor e perceptivas) às formas equilibradas superiores (operação lógicas). 
II.   Os moldes de equilíbrio  
    O primeiro que se imagina é, naturalmente, o do equilíbrio das forças em uma estrutura de campo, o equilíbrio se definindo, então, por um balanceamento exato das forças. Neste sentido é que se orientam os trabalhos gestabritos no campo da percepção e no da inteligência. Um segundo modelo de equilíbrio é o modelo probabilístico puro, utilizando Ashby no seu esclarecedor estudo sobre a dinâmica cerebral (Psychometrica, 1947). Existem processos nervosos de equilibração se manifestando através das adaptações novas para as perturbações mais complexas Ashby as explica por meio de uma probabilidade crescendo, indefinidamente, em um sistema comutativo (representado aqui pelo organismo e seu meio). Tal modo deve ser mantido para a psicologia, mas deve ser tratado em termos de atividades diferenciadas. O terceiro modelo, então, será o do equilíbrio por compensação entre as perturbações exteriores e as atividades do sujeito. O equilíbrio corresponderá, assim, ao ponto de sela da matriz de valores, não exprimindo, de modo nenhum, estado de repouso, mas, sim, jogo de compensações que comporta um maximum de atividades por parte de sujeito. 

5- PROBLEMAS DE PSICOLOGIA GENÉTICA 
  O objetivo essencial da psicologia infantil nos parece, portanto, a constituição de um método explicativo para a psicologia científica em geral, ou seja, o fornecimento de uma dimensão genética indispensável à solução de todos os problemas mentais. Assim, no domínio da inteligência, é impossível fornecer uma interpretação psicológica exata das operações lógicas, das noções de números, de espaço, de tempo, etc., sem estudar previamente o desenvolvimento social, bem entendido, na história das sociedades e das diversas formas de pensamento (história do pensamento científico em particular) e desenvolvimento individual (o que não tem nada de contraditório, pois o desenvolvimento da criança constitui entre outro, uma socialização progressiva do indivíduo). 
I.  Inatismo e aquisição.  
     Começando por este grande problema, diremos que somente o exame da formação psicológica das condutas permite conhecer a parte de inatismo eventual de algum de seus elementos e a parte de aquisição, seja esta pela experiência ou pela influência social. Aliás, a recorrência ao inatismo não resolve os problemas, mas os remove simplesmente para a biologia e, enquanto a questão fundamental da hereditariedade do adquirido não for resolvida em definição pode-se supor sempre que, na origem de um mecanismo inato, encontrar-se-ão fatores de aquisição em função do meio.            Acreditamos, pessoalmente, que é impossível explicar as condutas senso-motoras inatas sem esta hipótese da hereditariedade do adquirido. 
II.   O problema da necessidade própria às estruturas lógicas.  
A lógica na criança apresenta-se essencialmente sob a forma de estruturas operatórias, ou seja, o ato lógico consiste essencialmente em operar, e, portanto, em agir sobre as coisas ou sobre os outros. Por outro lado, uma operação não está nunca isolada: ela está solidária a uma estrutura operatória, tal como os “Grupos” em matemática (operação direta +1; inversa -1; idêntica 1-1= 0 e associatividade [1+]-1= 1+ [1-1]), ou as redes (estudadas pelo grande matemático Russo, Glivenko, sob o nome de “estrutura”, ou as estruturas mais elementares que os grupos ou redes, às quais chamamos “agrupamentos”). Ora, o critério psicológico da constituição das estruturas operatórias e, por conseguinte, do acabamento da reversibilidade (esta constituindo processo que progride gradualmente no curso do desenvolvimento) é a elaboração de invariantes ou de noções de conservação. Por exemplo, ao nível que chamamos de representação pré-operatória, as crianças de quatro a seis anos, depois de encherem sozinhas, dois copos pequenos com quantidades iguais de contas (colocando, com uma mão, uma conta azul no copo da esquerda, enquanto colocam com outra mão uma conta vermelha no copo da direita); pensam que as quantidades não são mais iguais se esvaziam um desses copos num pequeno bocal mais estreito e mais alto; a quantidade de contas não se conserva, portanto, no decorrer dos transvasamentos. Ao contrário assim que se formam as primeiras estruturas operatórias concretas (pelos 7-8 anos) a criança admitirá que a quantidade se conserve necessariamente (necessariamente sentimento de necessidade), porque as contas foram apenas deslocadas e pode-se recolocá-las como estavam antes (reversibilidade): a constituição desta noção de conservação é, portanto, típica de certo nível operatório. 
  • Pode-se então distinguir quatro grandes estágios no desenvolvimento da lógica da criança. 

1. Do nascimento 11/2- 2 anos, pode-se falar de período senso-motor, anterior a linguagem, onde ainda não existem operações propriamente dita, nem lógica, mas onde as ações já se organizam segundo certas estruturas que anunciam ou preparam a reversibilidade e a constituição das variantes.  2. De dois a 7-8 anos, começa o pensamento com linguagem, o jogo simbólico, a imitação diferenciada, a imagem mental e as outras formas de função simbólica, uras operatórias.  
3. Aos 7-8 anos, em média, a criança chega, depois de interessantes fases de transição, cujos detalhes não poderíamos abordar aqui, à constituição de uma lógica e de estruturas operatórias que chamaremos “concretas”. Este caráter “concreto”, por oposição ao formal é particularmente instrutivo para a psicologia das operações lógicas em geral. 
4.  Aos 11-12 anos (com um nível de equilíbrio por volta de 14-15 anos), aparecem novas operações pela generalização progressiva a partir das procedentes são as operações da “lógica das proposições”, que podem daí em diante, versar sobre enunciados verbais (proposições), quer dizer, sobre simples hipótese, e não mais exclusivamente sobre objetos. 

III.   O desenvolvimento das operações  
O estudo genético das percepções e, em particular, das “ilusões” perceptivas é muito instrutivo, pois permite dividir os fenômenos perceptivos, que são tão complexos e ainda mal conhecidos já há mais de um século, em categorias de significação bem distintas, fundamentando-se sobre seu desenvolvimento com a idade. Observam-se que, com efeito, pelo menos três tipos de evolução das ilusões perceptivas com a idade: aquelas que permanece relativamente constante ou diminuem de importância com o desenvolvimento, àquelas que aumentam de importância com a idade, e aquelas que crescem até certo nível (9-11anos em geral) para diminuírem um pouco, depois (por exemplo, a ilusão de peso, a comparação das oblíquas, etc.). 
6- GÊNESE E ESTRUTURA NA PSICOLOGIA DA INTELIGÊNCIA. 
Definiria a estrutura, da maneira mais ampla, como um sistema apresentando leis ou propriedades de totalidade enquanto sistema. A noção de estrutura, na verdade, não significa, simplesmente, que exista uma interligação total, como dizia Bichat na sua teoria do organismo. Por outro lado, para definir a gênese, gostaria de evitar que me acusassem de cair num circulo vicioso. Quando se fala de gênese no campo psicológico e, sem dúvida, nos outros campos também é preciso em primeiro lugar afastar toda definição a partir de começos absolutos. Diremos assim que a gênese é um, sistema relativamente determinado de transformações, comportando uma história e se conduzindo, de maneira contínua, de um estado A, a um estado B, sendo este mais estável que o estado inicial e constituindo seu prolongamento. Exemplo: a ontogênese, na biologia que vai atingir este estado, relativamente estável, que é o estado adulto. 

Histórico:

     Em psicologia e em biologia, onde o uso da dialética se faz muito tardio, as primeiras teorias genéticas, portanto as primeiras teorias que focalizam o desenvolvimento podem ser qualificadas de geneticismo sem estrutura. Na filosofia, a fenomenologia de Husserl, apresenta como um antipsicologismo conduz a uma intuição das estruturas ou das essências, independentemente de toda gênese. Se me lembro de Husserl aqui, é porque ele exerceu influencia na história da psicologia, inspirando em parte, a teoria de Gestalt. Esta teoria é o protótipo de um estruturalismo sem gênese, sendo as estruturas permanentes e independentes do desenvolvimento. Para ele, o desenvolvimento é determinado inteiramente pela maturação, isto é, por uma pré-formação que, ela própria, obedece às leis da Gestalt etc.. A gênese fica secundária, enquanto a perspectiva fundamental é preformista. 
I.   Toda Gênese parte de uma estrutura e chega a uma estrutura 
    Toda gênese parte de uma estrutura e chega à outra estrutura. Os estados A e B, portanto, de que falei há pouco nas definições, são sempre estruturas. Antes da idade de doze anos, a criança ignora toda a lógica das proposições; conhece apenas algumas formas elementares da lógica das relações, com seu reverso, a forma de “reciprocidade”. Mas uma estrutura nova que reúne em um mesmo sistema as inversões e a reciprocidade, e cuja influência é muito importante em todos os campos da inteligência formal neste nível, se constitui a partir de doze anos, alcançando sua etapa de equilíbrio no momento da adolescência, por volta de quatorze ou quinze anos. Uma criança de sete anos já é capaz de operações lógicas, mas de operações que chamarei concreto, pois versam sobre objetos e não sobre proposições. 
II.   Toda estrutura tem uma gênese 
Ate agora disse que toda gênese parte de uma estrutura e chega à outra estrutura. O resultado mais claro de nossas pesquisas na psicologia da inteligência é que mesmo as estruturas mais necessárias ao espírito do adulto, tais como as estruturas lógico-matemática, não são inatas na criança; elas se constroem pouco a pouco. Em suma, gênese e estrutura são indissociáveis. Nunca existe, portanto, uma sem a outra; mas não se atingem as duas ao mesmo tempo, pois a gênese é a passagem para um ulterior. 
III.   O equilíbrio 
    Para definir o equilíbrio, deter-me-ei em três características. Em primeiro lugar, o equilíbrio se caracteriza por sua estabilidade. Mas, observemos imediatamente que estabilidade ao significa imobilidade. A noção de mobilidade não é, portanto, contraditória com a de estabilidade: o equilíbrio pode ser móvel e estável. No campo da inteligência temos grande necessidade desta noção de equilíbrio móvel. Segunda característica: todo sistema pode sofrer perturbações exteriores que tendem a modificá-lo. Diremos que há equilíbrio quando estas perturbações exteriores são compensadas pelas ações do sujeito orientadas no sentido da compensação. A ideia de compensação me parece fundamental e a mais geral para definir o equilíbrio psicológico. Enfim o terceiro ponto: e o equilíbrio assim definido não  é qualquer coisa de passivo, mas, ao contrário, alguma coisa de essencialmente ativo. É muito difícil conservar um equilíbrio do ponto de vista mental, portanto, equilíbrio é sinônimo de atividade. Uma estrutura estará em equilíbrio na medida em que o indivíduo é, suficientemente, ativo para poder opor a todos as perturbações compensações exteriores. 
IV.   Exemplo de estrutura lógico-matemática 
     Para um maior esclarecimento, tomemos um exemplo bem banal de estrutura lógico-matemática. Tomo-o emprestado a uma das experiências correntes que fazemos na psicologia da criança: a conservação da matéria de uma bolinha de argila submetida a certo número de transformação.                 Apresentam-se à criança duas bolinhas de argila das mesmas dimensões, e em seguida se alonga uma delas em forma de salsicha, pergunta-se então às crianças se as duas apresentam ainda a mesma quantidade de argila. Sabemos por numerosas experiências que no inicio elas contestam esta observação da matéria; imagina que há mais na salsicha porque é mais longa, ou que há menos porque é mais fina. É preciso esperar os sete ou oito anos, em média, para que ela admita que a quantidade de matéria, não mudou um tempo um pouco mais longo para chegar à conservação do peso e finalmente aos onze-doze anos para a conservação do volume. Ora, a conservação da matéria é uma estrutura, ou ao menos índice de uma estrutura, que repousa sobre todo um aguamento operatório mais complexo, cuja reversibilidade se traduz por esta conservação é a expressão das compensações em jogo nas operações. De onde vem esta estrutura? As tendo desenvolvimento, da gênese, na psicologia da inteligência, invocam três fatores, seja um a um, seja simultaneamente. O primeiro é a maturação_, portanto, um fator interno, estrutural, mas hereditário, o segundo, a influência do meio físico, da experiência ou do exercício e o terceiro, a transmissão social. 

V. Estudo de um caso particular. 
Introduzo aqui o equilíbrio ou equilibração. Utilizar-me-ei _ porque pode ser sugestivo _ da linguagem da teoria dos jogos. Podem-se distinguir no desenvolvimento da inteligência quatro fases que podem ser chamadas, nesta linguagem, de fase de “estratégia”. A primeira é a mais provável no inicio; a segunda se torna a mais provável em função dos resultados da primeira, mas não o é desde o início; a terceira se torna a mais provável em função da segunda, mas não anteriormente; e assim por diante. Trata-se, portanto, de uma probabilidade sequencial. Estudando as reações de crianças de idade diferentes, pode-se observar que, em uma primeira fase a criança utiliza apenas uma dimensão. Ela dirá a você: “Há mais massa aqui que lá, porque é maior é mais comprido”. Se você alonga mais, ela dirá: “existe mais ainda, porque está mais longo”. Quando o pedaço se de massa é alongado, naturalmente se delgaça, a crianças ainda assim só considera uma dimensão, negligenciando totalmente a outra. É verdade que certas crianças se referem à espessura, mas não são pouco numerosos. Dirão: “Há menos, porque é mais fino; há menos, ainda, porque está ainda mais fino”, mas esquecerão do comprimento.  
Examinaremos agora a segunda fase, onde a criança vai inverter seu julgamento, seja a que raciocina sobre o comprimento, ela dirá: “é sempre mais, porque é mais longo”, torna-se provável _ não digo no início, mas em função desta primeira fase _ que em dado momento adotará atitude inversa, e isto por duas razoes: Primeiro, devido a um contraste perceptivo. Se você continua a alongar a bolinha até fazer uma foram de macarrão, ela acabará por dizer: “Ah! Não, agora há menos, porque está muito fino...”. Torna-se, portanto, sensível a este adelgaçamento que havia negligenciado até então, pois ela havia percebido e entendido, mas o negligenciava conceitualmente. O segundo motivo é uma insatisfação subjetiva, de tanto repetir todo o tempo: “há mais porque é mais longo...” a criança começa a duvidar de si própria. A criança terá mais dúvida na décima afirmação que na primeira ou na segunda, e por essas duas razões, é bem provável que em dado momento renuncie a focalizar o comprimento e vá raciocinar a espessura, mas, neste nível do processo, raciocinará sobre a espessura como raciocinou sobre o comprimento, esquece o comprimento e continua a só considerar uma única dimensão. Na terceira fase, a criança vai raciocinar sobre duas dimensões ao mesmo tempo, mas primeiro, oscilará entre as duas, pois se até aqui invocou ora o comprimento, ora a espessura, sempre que lhe era apresentado um novo estímulo e que se transformava a forma da bolinha, vai escolher, ora a espessura, ora o comprimento. Ela lhe dirá: “Eu não sei, é mais, porque é mais longo... não; é mais fino, então tem um pouco menos...”. Isto a levará _ e se trata ainda aqui de uma probabilidade não a priori, mas sequencial, em uma função desta situação específica _ a descobrir a solidariedade entre as duas transformações - descobre que à medida que a bolinha se alonga, e que toda transformação de espessura, e reciprocamente.  
CONCLUSÃO  
De modo geral, o equilíbrio das estruturas cognitivas deve ser concebido como compensação das perturbações exteriores por meio das atividades do sujeito, que serão as respostas a essas perturbações. No caso das formas inferiores de equilíbrio, se estabilidade (formas senso- motoras e perceptivas), as perturbações consistem em modificações reais e atuais do meio às quais as atividades compensatórias do sujeito respondem então, como podem, sem sistema permanente (tais são as formas de equilíbrio descritas acima a propósito da lei do maximum temporal das ilusões). No caso das estruturas superiores ou operatórias, por outro lado, as perturbações, às quais o sujeito responde, podem consistir em modificações virtuais, isto é, nos casos optimismo podem ser imaginadas e antecipadas pelo sujeito sob forma de operações diretas de um sistema (operações exprimindo transformações em sentido inicial qualquer); neste caso, as atividades compensatórias consistirão, igualmente, em imaginar e antecipar as transformações, mas no sentido inverso (operações recíprocas ou inversas de um sistema de operações reversíveis). Em resumo, o equilíbrio psicológico estável e final das estruturas cognitivas se confunde, de maneira idêntica, com a reversibilidade das operações, pois as operações inversas compensam exatamente as transformações diretas. Mas isto não impede que as estruturas operatórias, uma vez constituídas, tenham acesso ao nível dos instrumentos ou órgãos das equilibrações ulteriores. 
REFERÊNCIAS  
PIAGET, Jean. Seis Estudos de Psicologia. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.  
http://www.webartigos.com/artigos/seis-estudos-de-psicologia-de-jean-piaget/115612/





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domingo, 1 de maio de 2016

Breve Biografia de Jean Willian Fritz Piaget e resumo de sua teoria


 Jean Willian Fritz Piaget

  1. . Sir Jean William Fritz Piaget• Neuchâtel 1896 - Genébra 1980;

  1. •Interessado em filosofia, religião e ciência;
  2. • Aos 10 anos publicou seuprimeiro artigo científico;
  3. •Formou-se em biologia na Universidade de Neuchâtel;
  4. •Em Zurique, começou a trabalhar com o estudo do raciocínio da criança sob a ótica da psicologia experimental;
  5. •Nome influente no campo da educação.
  6. Ele criou um campo de investigação que denominou "Epistemologia Genética" :
  7. → Objetiva explicar a continuidade entre processos biológicos e cognitivos
  8. Para Piaget como o conhecimento evolui? 
  9. Psicológico:- Construção contínua rumo ao equilíbrio;
  10. - Aprendizagem infantil é dinâmica, leva em consideração o aspecto biológico e ambiental;
  11. - Sujeito epistêmico: Processos de pensamento presentes desde a infância até a idade ideal (capacidade plena de raciocínio)

  12.  Como ocorre o desenvolvimento cognitivo?
  13. Cognição:  Definição Aurélio → Aquisição de conhecimento
  14. Conceitos necessários para entender o desenvolvimento cognitivo:

  • Esquema;
  • Assimilação;
  •  Acomodação;
  • Equilibração.
  1.  Foram estabelecidas na teoria de Piaget quatro fases de desenvolvimento do aprendizado: 
  • Sensório motor; 
  •  Pré-operatório;
  •   Operatório concreto;
  •  Operações formais.
  1.  Sensório motor: ( 0-24 meses):
  2. - Baseia-se em uma inteligência que trabalha as percepções e as ações por meio do deslocamento do próprio corpo;
  3. - A aprendizagem ocorre com a visualização de objetos situados ao seu redor;
  4. - 08-12 meses: começo da representação mental;
  5. - 18-24 meses: surgimento da linguagem.
  6.  
  7. Pré operatório: (02-07 anos):
  8. - Surge a função dos sistemas de significação que permite o surgimento da linguagem;- Inicio da abstração, “brincadeira de faz de conta”( O meu carrinho está dormindo → da alma aos objetos);
  9. - Monólogo coletivo (conversa consigo mesmo);

  10.  Operatório concreto: (07-11/12 anos):
  11. - A criança conhece e organiza o mundo de forma lógica;
  12. - A linguagem se socializa, isto é, origina-se o conceito de coletivo;
  13. - Discuti assuntos de seu mundo a fim de criar conclusões.

  14.  Operações formais: ( 11/12 anos - em diante):
  15. - Pensamento hipotético – dedutivo (abstração→raciocínio→conclusão);
  16. - Discussões sobre assuntos em geral;
  17. - Auge do pensamento/inteligência.

  18. Qual a importância de se definir as fases?
  19. →Em cada uma das fases apresentadas, o indivíduo adquire novos conhecimentos e/ou estratégias de sobrevivência, de compreensão e interpretação da realidade.→A inteligência seria um mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e como tal implica a construção contínua de novas estruturas.

  20.  “O conhecimento não pode ser uma cópia, visto que é sempre uma relação entre objeto e sujeito “Se o indivíduo é passivo intelectualmente, não conseguirá ser livre moralmente”
  21.                                                                                                                                           (Piaget)

  22.  Referências:
  23.  FERREIRA, L. C.Q. Psicologia do desenvolvimento: Desenvolvimento Psíquico em Jean Piaget. Lins, São Paulo, 2009 P. 01-07. Disponível <http://www.unisalesiano.edu.br/encontro2009/trabalho/aceitos/RE 36875218852.pdf >Acesso 07 de abril de 2013 http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/jean-piaget- 307384.shtml ROSA, P. R. S. A Epistemologia Genética de Piaget e o Construtivismo. Departamento de Física UFMS, Mato Grosso do Sul. Cap 3, P. 01-05. Disponível em< http://www.dfi.ccet.ufms.br/prrosa/Pedagogia/Capitulo_3.pdf >Acesso 08 de abril de 2013

Artigo Fundamentos da Teoria Piagetiana: Esboço de Um Modelo de Auxiliadôra Aparecida de Matos Docente da Faculdade Santa Rita – FaSaR.

REVISTA CIÊNCIAS HUMANAS – UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ (UNITAU) – BRASIL – VOL. 1, N. 1, 2008. REVISTA CIÊNCIAS HUMANAS, UNITAU. Volume 1, número 1, 2008. Disponível em http://www.unitau.br/revistahumanas . 
Fundamentos da Teoria Piagetiana: Esboço de Um Modelo / Auxiliadôra Aparecida de Matos Docente da Faculdade Santa Rita – FaSaR. Mestre em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, pela PUC-MG. Graduada em Economia Doméstica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). Received 25 June 2007; accepted 17 October 2007. 

RESUMO Este artigo pretende analisar os fundamentos da teoria piagetiana por mais seus principais conceitos e pressupostos. O objetivo específico é apresentar os fundamentos da teoria piagetiana em um modelo que evidencie a inter-relação dos conceitos apresentados. A preocupação central de Piaget, ao tentar entender a construção do conhecimento, recai na inteligência. Destacam-se três aspectos fundamentais da inteligência: estrutura da inteligência, conteúdo da inteligência e função da inteligência. A partir destes elementos, apresenta-se um modelo que articula os fundamentos da teoria piagetiana. 
Palavras- Palavras-chave: Estrutura da inteligência; conteúdo da inteligência; função da inteligência 

ABSTARCT This article intends to analyse the fundaments of Piaget theory through its main concepts and presuppositions. The specific objective is to present the fundaments of Piaget theory in a model that evidences the interrelations between the presented concepts. The central concern of Piaget to understand the construction of knowledge is the intelligence. There are three fundamental aspects of intelligence: intelligence structure, intelligence content and intelligence function. Considering this elements, it is presented a model that articulates the fundaments of Piaget theory. Key-words: intelligence structure; intelligence content; intelligence function. 

 REVISTA CIÊNCIAS HUMANAS – UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ (UNITAU) – BRASIL – VOL. 1, N. 1, 2008. REVISTA CIÊNCIAS HUMANAS, UNITAU. Volume 1, número 1, 2008. Disponível em http://www.unitau.br/revistahumanas .
Introdução:
 Para responder o questionamento de como o conhecimento se forma, Piaget realizou uma investigação teórica e experimental do desenvolvimento qualitativo das estruturas intelectuais. Em suas pesquisas há uma ênfase no estudo da estrutura da inteligência em desenvolvimento em contraposição à sua função e ao seu conteúdo. 
Este artigo pretende analisar os fundamentos da teoria piagetiana através de seus principais conceitos e pressupostos. O objetivo específico é apresentar os fundamentos da teoria piagetiana em um modelo que evidencie a inter-relação dos conceitos apresentados. A visão de homem de Piaget é fundamental para entender sua teoria. Para ele, o homem é uma totalidade que se esforça para a manutenção do todo. Segundo Carvalho (1996), Piaget parte da suposição de que existe uma ordem universal, na qual o cosmos é, funcionalmente, um grande organismo. Como tal é composto de partes que, exercendo funções específicas, interrelacionam-se e coordenam-se entre si, num esforço de manutenção de sua unidade, ou ainda, de sua totalidade. Assim, uma modificação em algumas de suas partes é acompanhada de um movimento compensatório de outras, para que a unidade não seja perdida. Portanto, o homem é uma totalidade que se esforça para a manutenção do todo, por mais da permuta constante entre o sujeito e o meio. Tudo se passa no sentido de manter a unidade, ou ainda, o equilíbrio. Esta concepção de homem se integra às chamadas teorias interacionistas que explicam o conhecimento, mediante a participação, tanto do sujeito do conhecimento, quanto dos objetos do conhecimento, o que resulta não só na organização do real, como também na construção das estruturas do sujeito. Piaget, então, possui uma visão de homem distinta das teorias empiristas (por exemplo, o behaviorismo) e das teorias inatistas (por exemplo, o gestaltismo). Para os teóricos empiristas, o conhecimento tem origem e evolui a partir da experiência que o sujeito vai acumulando, acreditando assim, que o homem é produto do ambiente. Os mais conhecidos adeptos da tese empirista são os americanos J.B. Watson e B.F. Skinner, representantes do behaviorismo (GOULART, 2001).  Já as teorias inatistas acreditam que o conhecimento é pré-formado, ou seja, o ser humano já nasce com as estruturas do conhecimento, e elas se atualizam à medida que este se desenvolve. Portanto, o papel do objeto do conhecimento é aqui minimizado. Observa-se que, em ambas as abordagens (empirismo e inatismo), negase a indissociabilidade sujeito-objeto. As teorias do condicionamento reduzem o indivíduo às determinações dos objetos do conhecimento, além de negar a consciência, a subjetividade e o inconsciente, enquanto sínteses das relações sociais. As teorias inatistas reduzem a possibilidade de conhecimento às estruturas pré-formadas nos indivíduos, desqualificando, assim, a força da educação, enquanto elemento fundamental no processo de desenvolvimento e aprendizagem humanos (COUTINHO & MOREIRA, 2000). 
Diante do exposto, percebe-se que a concepção de homem de Piaget é a de um sujeito em atividade, que constrói seu conhecimento através das interações com o meio. Ou seja, a relação entre sujeito cognoscente e objeto cognoscível é indissociável, pois o conhecimento resulta da permuta constante do sujeito com o ambiente. Segundo Madureira & Branco (2005), no mundo ocidental, Piaget foi um dos primeiros estudiosos a explicar o conhecimento não como algo predeterminado nas estruturas internas do indivíduo, ou nos caracteres preexistentes nos objetos, mas como uma construção efetiva e contínua, resultante de trocas dialéticas, efetuadas entre o indivíduo e o meio do conhecimento. Assim, a perspectiva piagetiana é uma tentativa de superação da unidirecionalidade dos estudos do desenvolvimento, que ora ressaltam a importância do indivíduo e esquecem o contexto, ora valorizam o contexto e colocam em segundo plano o papel ativo e intencional do sujeito. Revisão de Literatura Revisão de Literatura Fundamentos da Teoria Piagetiana Fundamentos da Teoria Piagetiana A teoria piagetiana tenta responder às questões: como o conhecimento se forma? Como passamos de um estado de menor conhecimento para um estado de maior conhecimento? Enfim, como evolui o conhecimento? (PIAGET, 1975; PIAGET, 1973). 
Conforme enfatizam Davis & Oliveira (2005), Piaget considerou que se estudasse, cuidadosa e profundamente, a maneira pela qual as crianças constroem as noções fundamentais de conhecimento lógico, tais como as de tempo, espaço, objeto, causalidade, etc, poderia compreender a gênese e a evolução do conhecimento humano. Então, entender como o conhecimento evolui constitui-se a preocupação científica de Piaget. Para tanto, ele desenvolve uma profunda e extensa investigação teórica e experimental do desenvolvimento, qualitativo das estruturas intelectuais. Assim, a preocupação central de Piaget ao tentar entender a construção do conhecimento recai na inteligência. Ele estuda três aspectos fundamentais da inteligência: estrutura da inteligência, conteúdo da inteligência e função da inteligência. 
De acordo com Flavell (1996), observa-se na teoria piagetiana uma ênfase no estudo da estrutura da inteligência em desenvolvimento em contraposição à sua funçãoe ao seu conteúdo. Conteúdo da Conteúdo da Inteligência Inteligência Inteligência Refere-se à conduta externa, aos dados comportamentais não interpretados. O conteúdo expresso sugere diferenças na forma de pensar. Ou seja, o conteúdo da inteligência refere-se a dados comportamentais brutos, como por exemplo, quando um dos sujeitos estudados por Piaget, afirma que um objeto tem mais/menos massa quando sua forma é alterada (FLAVELL, 1996). 
Função da Inteligência Refere-se às características amplas de atividade inteligente, válida para todas as idades e que define a própria essência do comportamento inteligente. É a maneira pela qual, qualquer organismo progride cognitivamente e é invariável ao longo do desenvolvimento. Ou seja, as propriedades funcionais do processo adaptativo permanecem as mesmas. Em relação à função, Piaget tentou isolar as propriedades abstratas da inteligência-em-ação, que são válidas para todos os organismos, sendo chamadas de invariantes funcionais (FLAVELL, 1996). 
Estrutura da Inteligência: Refere-se, basicamente, às organizações mentais ou aptidões mentais que a criança possui. Para Piaget, as estruturas são mutáveis no decorrer do processo evolutivo. Elas resultam de seu funcionamento, onamento, onamento, são inferidas a partir do conteúdo conteúdo conteúdo e responsáveis pela organização da inteligência. Assim, o que a criança pode, ou não, realizar em cada período, liga-se diretamente à estrutura que lhe é subjacente. Estrutura e conteúdo são assim interdependentes, ou seja, pelo conteúdo expresso em forma de linguagem, jogos, etc, pode-se determinar o nível intelectual – estrutura subjacente (PIAGET, 1975). 
A estrutura da inteligência muda com a idade, e estas mudanças evolutivas constituem o principal objeto de estudo de Piaget. O conhecimento da estrutura possibilitará a previsão do que se pode esperar de uma criança em um determinado momento. As estruturas se formam no decorrer do processo evolutivo e, além de mutáveis, são também mediadoras entre as invariantes funcionais da conduta e seus conteúdos (CARVALHO, 1996). 
A partir das estruturas existentes, Piaget dividiu o desenvolvimento em estágios. Entretanto, o que são as estruturas da inteligência no sistema piagetiano? São as propriedades organizacionais da inteligência, organizações criadas através do funcionamento e inferíveis, a partir de conteúdos comportamentais, cuja natureza determinam. Para Piaget, as estruturas estão situadas entre as invariantes funcionais e os variados conteúdos comportamentais. Assim, as estruturas explicam porque surgiu um determinado conteúdo, e não outro. Assim, em função das propriedades organizativas das estruturas da inteligência, percebe-se sua importância na construção e no desenvolvimento do conhecimento. Entretanto, permanece a questão: Como as estruturas se formam? Elas são inatas? Piaget é categórico neste sentido, pois afirma que não se herda estruturas cognitivas como tais. Elas passam a existir, apenas no decorrer do desenvolvimento.  Herda-se, sim, um modus operandi, uma maneira específica de transação com o ambiente. Assim, herdamos um modo de funcionamento intelectual. Ou seja, é funcionando que o organismo gera as estruturas cognitivas. Esse modo de funcionamento tem duas características importantes: gera estruturas cognitivas e permanece essencialmente constante, durante toda a vida. Isto é, as propriedades fundamentais do funcionamento intelectual são as mesmas, sempre, apesar da ampla variedade de estruturas cognitivas que este funcionamento gera, que são as invariantes funcionais. 
As invariantes funcionais são: adaptação (assimilação e acomodação) e organização; são assim chamadas devido a sua invariável presença em todo ato de conhecimento, em todo ato adaptativo (FLAVELL, 1996). 
Acredita-se, no entanto, que a mera conceituação das categorias piagetianas não é suficiente para entender este processo dinâmico de construção do conhecimento. Dessa forma, sugere-se o modelo abaixo ilustrado (Figura 1) como uma forma de indicar as complexas relações existentes e a interdependência destes constructos. 
Figura 1 - Modelo: Fundamentos da Teoria Piagetiana Figura  Discussão Imagine-se, como exemplo, que o Comportamento X refere-se a uma criança de 3 anos e o Comportamento Y a uma criança de 7 anos. Apresenta-se a estas crianças dois frascos (A e B) finos, contendo igual quantidade de água colorida. 
Pergunta-se: Qual dos dois você acha que tem mais água? 
Depois de se obter a resposta “estão iguais”, derrama-se, na frente das crianças, o conteúdo do frasco B em um novo frasco C, que é baixo e largo. 
Terminada a operação, pergunta-se: E agora, qual dos dois tem mais? A resposta típica da criança com 3 anos (Comportamento X) é indicar o frasco A. 
Já a criança com 7 anos (Comportamento Y) compreende que a quantidade de água em A e C permanece igual, o que mudou foi a aparência. 
A diferença entre os conteúdos dos dois comportamentos indica estruturas distintas, para as crianças aqui exemplificadas. As estruturas explicam porque surgiu um determinado conteúdo, e não outro. Explicando o Modelo Através da constante permuta do indivíduo com o meio, o homem enquanto uma totalidade, esforça-se para a manutenção de seu todo. Assim, diante de uma situação nova, o organismo é lançado em desequilíbrio, e mecanismos reguladores são acionados, a fim de levar o sujeito a superar essa situação de estranhamento e/ou contradição. Esse processo é chamado por Piaget (1973) de equilibração e seria como a homeostase do nível comportamental. Significa o esforço constante de manutenção de um equilíbrio dinâmico entre a estrutura psicológica e o meio. Sua ocorrência revela-se pelo nível cada vez mais superior do funcionamento mental. Ou seja, é um processo irreversível que, inevitavelmente, leva a um equilíbrio de forma superior, mais complexo e abrangente. A mente do indivíduo, desequilibrada diante de uma situação nova, por não dispor de uma estrutura suficientemente desenvolvida que possibilite o seu completo entendimento, ainda que possuidora de esquemas capazes de entendê-la, em parte, desencadeia um processo de equilibração através do funcionamento dos invariantes funcionais (assimilação e acomodação) até o alcance de seu completo entendimento, de sua completa adaptação. Disso tudo, conclui-se a importância do discrepante, do novo, do problema, como propulsores do conhecimento. O equilíbrio representa o máximo de atividade do organismo para a manutenção da unidade, através do jogo de compensações das perturbações. Assim, a equilibração traduz o processo interno subjacente à passagem de um nível de funcionamento para outro, desencadeado para compensar perturbações no equilíbrio, até então alcançado pelo organismo. Nesse sentido, a equilibração é, sem dúvida, o elemento central do processo evolutivo. Ela pressupõe auto-regulação, que harmoniza as contribuições vindas das diferentes fontes, tanto internas, devido a maturação, quanto externas, quer de experiências, quer de transmissões formais. É através dela, que o organismo consegue dar sentido ao não compreendido, modificando as próprias estruturas assimilativas para melhor acomodar, caminhando sempre em direção a estruturas mentais mais e mais superiores (CARVALHO, 1996).

 INVARIANTES FUNCIONAIS: Adaptação Adaptação Adaptação E Organização:
  Para entender a importância dos invariantes funcionais, é necessário retomar a idéia de desequilibro, em que o organismo é totalmente ou parcialmente incapaz de dar sentido, ou organização à realidade externa. ADAPTAÇÃO (assimilação e acomodação) ADAPTAÇÃO (assimilação e acomodação) O processo adaptativo refere-se à interação do organismo com o meio ambiente. Acontece sempre que um determinado intercâmbio organismo-ambiente tem como efeito a modificação do organismo. O processo de modificação dos elementos do meio, de modo a incorporá-los à estrutura do organismo, é chamado assimilação, ou seja, os elementos são assimilados ao sistema. Assim como os objetos precisam ajustar-se à estrutura peculiar do organismo em qualquer processo adaptativo, o organismo também precisa ajustar-se às exigência idiossincráticas do objeto. Este ajustamento ao objeto é chamado por Piaget de acomodação. Isto é, o organismo precisa acomodar seu funcionamento às características específicas do objeto que está tentando assimilar. Flavell (1996), descreve um exemplo biológico desse processo que permite uma maior compreensão dos conceitos aqui tratados. No processo de digestão, a fim de incorporar seus valores nutritivos ao sistema, o organismo precisa transformar as substâncias e, realmente, as transforma. À medida que ocorre o processo de digestão, o alimento perde por completo seu aspecto original, tornando-se parte da estrutura do organismo. O processo de modificação dos elementos do meio, de modo a incorporá- los à estrutura do organismo é chamado assimilação, ou seja, os elementos são assimilados ao sistema. Ao assimilar alimentos, o organismo está fazendo algo mais. Está também se ajustando a eles. Isto ocorre de várias maneiras e em todos os estágios do processo de adaptação. A boca e os processos digestivos necessitam adaptar-se às propriedades químicas e físicas do alimento, ou não haverá digestão. Esse ajustamento ao objeto é chamado, por Piaget, de acomodação. Dessa forma, a assimilação cognitiva consiste na incorporação, pelo sujeito, de elementos do mundo exterior às estruturas do conhecimento já constituídas. Nesse processo, o que ocorre é uma ação do sujeito sobre os objetos que o rodeiam, o que se dá mediante à aplicação de esquemas já constituídos anteriormente. O processo de assimilação implica o uso de estruturas até então presentes, procurando ajustar os objetos a estas estruturas. Entretanto, nessa tentativa, acontece que alguns esquemas já existentes ou se aplicam ou não têm aplicação à situação. O modo que o sujeito tem, para se ajustar à situação criada a partir da incompatibilidade entre a demanda do objeto e as condições presentes do sujeito, é o de modificar os seus esquemas para acomodar-se à resistência do objeto. O processo de acomodação representa, portanto, o momento de ação dos objetos sobre o sujeito, impondo-lhe modificações, já que os esquemas presentes não são suficientes para o atendimento às novas solicitações do meio. Portanto, a mudança no processo de assimilação (modo como o indivíduo é capaz de agir numa situação com os esquemas presentes) se dá pela ação dos objetos sobre o sujeito, exigindo-lhe a superação de esquemas já constituídos (acomodação). É importante ressaltar que, embora a assimilação e a acomodação sejam conceitualmente distintas, são indissolúveis, na realidade concreta, de qualquer ação adaptativa. Conforme Gauy e Costa Júnior (2005), a assimilação refere-se ao fato de que todo encontro cognitivo com um objeto ambiental envolve necessariamente algum tipo de estruturação (ou reestruturação) cognitiva daquele objeto, de acordo com a natureza da organização intelectual existente no organismo. Segundo Piaget, a assimilação é, portanto, o próprio funcionamento do sistema do qual a organização é um aspecto estrutural. Assim, toda ação inteligente, não importa quão rudimentar e concreta, pressupõe uma interpretação de alguma coisa da realidade externa, isto é, uma assimilação desse algo a algum tipo de sistema de significado, existente na organização cognitiva do indivíduo. Portanto, consiste em submeter um acontecimento da realidade aos moldes de uma estrutura em evolução. Entretanto, o desenvolvimento intelectual não se dá, a menos que o organismo ajuste, de algum modo, seus receptores intelectuais às formas que a realidade lhe apresenta. A essência da acomodação é, exatamente, esse processo de adaptação às exigências variadas que o mundo dos objetos impõe às pessoas. Resumindo, a assimilação cognitiva consiste na incorporação, pelo sujeito, de elementos do mundo exterior às estruturas do conhecimento já constituídas. Nesse processo, ocorre a ação do sujeito sobre os objetos que o rodeiam, implicando o uso de estruturas até então presentes, procurando ajustar os objetos a estas estruturas. No entanto, quando ocorre uma incompatibilidade entre a demanda do objeto e as condições presentes do sujeito, ocorre o processo de acomodação cognitiva, em que o sujeito tem que modificar suas estruturas para acomodar-se à resistência do objeto. Ocorre a ação do objeto sobre o sujeito, impondo-lhe modificações. 

Organização: Qualquer ação adaptativa pressupõe uma organização subjacente. Não há nenhuma adaptação (assimilação e acomodação) proveniente de uma fonte desorganizada ou caótica, uma vez que esta adaptação tem como base uma organização inicial, expressa no esquema (ponto de partida para a ação do indivíduo sobre os objetos do conhecimento). Assim, o pensamento se organiza, mediante a constituição de esquemas, que se formam através do processo de adaptação. Por outro lado, a organização do pensamento, expressa através das estruturas cognitivas, produzidas mediante o processo de adaptação, é que permite que o indivíduo organize a realidade (COUTINHO & MOREIRA, 2000). 

Esquema: Pode-se definir esquema como uma estrutura cognitiva que se refere a uma classe semelhante de seqüências de ação, as quais são totalidades fortes, integradas, e cujos elementos de comportamento estão intimamente interrelacionados (FLAVELL, 1996). Os esquemas correspondem, portanto, ao que, numa ação, é transponível e generalizável, num processo contínuo de acomodações progressivas. Ou seja, o esquema é uma estrutura cognitiva, com padrões organizados de comportamento. Além disso, ele é a condição inicial das trocas que se efetuam entre o indivíduo e o meio. No ser humano, os esquemas iniciais, ponto de partida da interação sujeito e objeto, são os reflexos. A partir destes esquemas todos os demais são engendrados por meio dos processos de assimilação e acomodação. A adaptação (resultante destes dois processos) se refere, assim, à construção de esquemas (COUTINHO & MOREIRA, 2000). Em geral, um esquema pode ser melhor compreendido, a partir de seu conteúdo, ou seja, de uma seqüência organizada de comportamentos. O esquema não está vinculado a uma fase específica do desenvolvimento, mas se faz presente em todas elas. A maneira como um bebê pega é um esquema de ação. Assim, tanto uma ação explícita de um bebê, tentando pegar um objeto em seu berço, por exemplo, quanto uma ação interiorizada de um adulto, tentando solucionar um problema matemático, constituem esquemas. O primeiro é chamado de esquema sensório-motor e o segundo, de esquema cognitivo. Ambos são pontos extremos de uma mesma classe, pois Piaget considera que os esquemas cognitivos derivam-se dos esquemas sensório-motores, por meio de um processo de interiorização. Piaget ainda fala de esquema, como uma determinada estrutura mental capaz de generalização e transferência, que ocorre em muitos níveis diferentes de abstração. Alguns exemplos de esquemas são: objeto permanente, classe de objetos, etc (CARVALHO, 1996). 
De acordo com Flavell (1996), os esquemas têm os mais variados tamanhos e formas, entretanto, todos possuem uma característica geral comum: a seqüência de comportamentos que o constitui é uma totalidade organizada. Por serem estruturas, os esquemas são criados e modificados pelo funcionamento intelectual. Uma das características isoladas mais importantes de um esquema de assimilação é sua tendência à repetição. De fato, apenas os padrões de comportamento que ocorrem repetidas vezes, no decorrer do funcionamento cognitivo, são considerados esquemas. 


CONCLUSÃO:  Para entender a teoria piagetiana, é necessário compreender alguns conceitos fundamentais em sua obra, tais como estrutura, função, conteúdo, invariantes funcionais, esquema, equilibração. Entretanto, a descrição dos conceitos nem sempre facilita sua apreensão, em função das dificuldades em se apresentar as suas interrelações. Nesse sentido, este trabalho foi elaborado com o intuito de demonstrar, de forma esquemática, como os conceitos centrais da teoria piagetiana estão articulados. No entanto, ressalta-se que o modelo apresentado é um esboço possível, e não possui a pretensão de esgotar ou limitar as discussões sobre os fundamentos da teoria piagetiana. O modelo enfatizou a concepção de homem, para Piaget, entendido como uma totalidade que se esforça para a manutenção do todo. A partir daí, desdobraramse as conseqüências da permuta constante entre o sujeito e o meio, destacando-se a atividade do sujeito cognoscente, sobre os objetos do conhecimento e a importância do objeto, no desenvolvimento das estruturas do sujeito.

Referêcias Bibliográficas:
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